quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Solista


O britânico Joe Wright, diretor de filmes bacanas como Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, tem uma pegada extremamente competente quando se trata de adaptar romances de época para a telona. Wright sabe discernir muito bem a delicada fronteira que separa cinema de literatura e bebe na obra de autores clássicos como Ian McEwan e Jane Austen sem que seus filmes fiquem arrastados ou excessivamente narrados, ou seja, com cara de livro filmado. Não deixa de ser irônico, portanto, que alguém que dribla com tanta desenvoltura as armadilhas do romance vitoriano fracasse tão tolamente em um filme contemporâneo.

O Solista, baseado no livro homônimo de Steve Lopez, relata a inusitada amizade que se desenvolve entre o jornalista Lopez e o sem-teto Nathaniel Ayers. Logo no princípio do filme, vemos que Steve é um cara que dá muita atenção à sua coluna de jornal e pouquíssima às pessoas. Sempre em busca de um assunto interessante para explorar, ele se depara com Nathaniel, talentoso músico que vive nas ruas e é obcecado por Beethoven. Steve descobre que Nathaniel é esquizofrênico e foi aluno da renomada Juilliard School antes de ter um colapso no segundo ano e abandonar tudo. A amizade entre os dois homens vai ganhando contornos de dependência conforme Nathaniel faz de Steve seu único arrimo.

O Solista é um filme que, a despeito de suas constantes tentativas de emocionar, não consegue capturar a cumplicidade do espectador. Talvez por se manter sempre dentro do estritamente previsível. Quantas vezes já vimos um filme assim, sobre um cara egoísta que se torna uma pessoa melhor graças ao envolvimento com um personagem, de alguma forma, outsider? Rain Main é a comparação mais óbvia, ainda que O Solista fique muito aquém em termos de qualidade. Sem contar que o filme sobrecarrega muitas cenas com uma dose de pieguice desnecessária. Um exemplo disso é quando Steve leva Nathaniel a um recital e fica maravilhado com a reação visceral deste à música. Numa clara alusão ao clássico Fantasia, a tela se enche de explosões de cores, para ilustrar como o personagem “vê” os sons. Além do didatismo irritante, a cena ainda é excessivamente alongada.

Os dois protagonistas estão bem em cena, sendo a performance de Robert Downey Jr. superior à de Jamie Foxx. O que não pega muito bem para Foxx, já que o seu personagem é claramente caracterizado de forma mais simpática. O problema é que o ator exagera em alguns surtos de loucura, o que faz com que por vezes Nathaniel ganhe um ar caricatural, enquanto Downey Jr. mantém-se sempre mais coerente.

No todo, fica a decepção de um produto final muito fraco em relação a seu potencial. Um filme engessado, burocrático, pobre de rimas e fora do ritmo. Totalmente contrário à centelha criativa que se espera de um belo solo. Estreia amanhã.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dica para o fim de semana


Outra estreia desta sexta é o fofíssimo 500 Dias com Ela, já comentado aqui no A&S durante o Festival do Rio. Clique no link abaixo para ler os comentários sobre o filme:

http://artesesubversao.blogspot.com/2009/09/500-dias-com-ela.html

Fama


O que torna um filme clássico geralmente vai além de seus méritos puramente cinematográficos: alguns derrubam preconceitos, outros apresentam um novo estilo de fazer cinema, outros trazem atuações inesquecíveis. Existem, ainda, aqueles que sobrevivem na memória coletiva por terem, de alguma forma, se tornado icônicos para uma geração. Quem era criança ou adolescente na década de 80 certamente tem um carinho especial por filmes como Os Goonies, Caçadores de Arca Perdida e De Volta para o Futuro – ou até mesmo fitas mais toscas, como Procura-se Susan Desesperadamente ou Rambo. Por isso pessoas de gerações diferentes às vezes não entendem muito bem os filmes de coração umas das outras, já que não os assistiram dentro do mesmo contexto.

Fama, filme realizado em 1980 por Alan Parker, foi um sucesso tão estrondoso que chegou a gerar uma série de TV. A música-tema Fame (aquela do I'm gonna live forever, I'm gonna learn how to fly) ganhou um Oscar e um Globo de Ouro e até hoje faz a alegria dos nostálgicos nas pistas de dança. A trama, simplérrima, acompanhava o dia-a-dia de um grupo de alunos da New York High School of Performing Arts, da primeira audição à formatura. Entremeando os números musicais, amores, decepções, esperanças, inseguranças e, sobretudo, o desejo de superar as próprias limitações e alcançar o estrelato. Com uma trilha sonora vibrante e uma pegada romântica, o filme fez a cabeça de toda uma geração. E agora resolveram fazer um remake dele. Uma ideia que, de cara, já não parece boa.

Para começo de conversa, existe algo de muito errado em um musical quando o espectador só sente a característica vontade de cantar, dançar ou apenas bater os pés no chão ao ritmo da música durante os créditos finais. E, mesmo assim, a empolgação é mais por finalmente matar as saudades da canção Fame do que por qualquer mérito deste filme em si. Fama, para um musical, tem poucos números musicais e nenhum que chegue a empolgar. Isso não seria um problema se a parte dramatúrgica suprisse essa lacuna, mas não é o que acontece. O filme acaba sendo um enfileirado de cenas mornas e conflitos bobos que pouco ou nada evoluem até a grande sequência da apresentação de formatura. Ou seja, o filme só começa a ganhar gás quando está para acabar.

O roteiro é frouxo e comete elipses inexplicáveis no relacionamento entre os personagens secundários, que viram amigos sem que se perceba quando aconteceu a aproximação. O exemplo mais gritante disso é o romance entre Alice e Victor: em uma cena eles ainda nem se falam; em outra, estão juntos diante dos olhares atônitos dos pais da moça e do espectador. Mesmo os personagens centrais são pessimamente delineados. De Marco apenas se sabe que sua família possui um restaurante; de Jenny, que é obcecada em ser boa aluna; somente a história da pianista Denise possui um pouco mais de consistência.


O elenco, como um todo, é insosso, com exceção dos simpáticos Asher Book (Marco) e Naturi Naughton (Denise). Ambos tem boa presença e boas vozes, mas não conseguem levar nas costas o filme inteiro, mesmo porque o roteiro dá um peso desproporcional à apática Jenny de Kay Panabaker. Já Megan Mullally – a Karen de Will & Grace – não podia estar mais caricata como a professora Rowan. Uma cena especialmente esquisita é quando ela vai a um karaokê com os alunos e se esgoela ao microfone enquanto os pupilos acham sua performance sensacional. Para os meus pobres ouvidos leigos, a professora não me pareceu nada afinada... Mas sei lá. Vai ver eu que não entendo nada de música.

O diretor Kevin Tancharoen faz sua estréia na telona com este filme. Seus créditos anteriores são todos relacionados à televisão, incluindo uma série musical feita para a MTV. Podemos dizer que o rapaz começou com o pé errado na sétima arte. Vamos apenas esperar para que esse Fama seja um fenômeno isolado e que não prenuncie novas versões de Flashdance ou Dirty Dancing. Estreia nesta sexta.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vigaristas


O pessoal que trabalha em áreas ligadas ao cinema geralmente desconfia quando um filme fica muito tempo rodando nas listas de “próximos lançamentos” e nunca estreia. Desconfia mais ainda quando o tal filme tem à frente do elenco três atores famosos, dois deles vencedores do Oscar. Pressupõe-se que um filme com grandes astros que fica engavetado só pode ser uma bomba. Era o que eu pensava de Vigaristas, impressão reforçada pela sinopse parecer um somatório de milhões de outras histórias que já vimos antes sobre uma dupla de estelionatários charmosos e inteligentes. Mas não é que o filme tem mais a oferecer do que parece?

Desde muito pequenos, os irmãos Stephen e Bloom tiveram que se virar e contar apenas um com o outro. Órfãos, passaram por muitas famílias adotivas e foram devolvidos por todas. Stephen, desde criança, sempre criou mirabolantes e intrincados esquemas para tirar vantagem das pessoas. Bloom nunca teve alternativa senão segui-lo, e os dois passaram a vida desempenhando os papéis que Stephen criou para cada um deles, a cada nova falcatrua. Stephen não se limita a enganar as pessoas, ele acredita que para que um golpe seja realmente perfeito, cada um tem que conseguir o que deseja. Eles, vantagens financeiras; o ludibriado, uma aventura inesquecível. Só há um porém nesta teoria: Bloom ainda não conseguiu o que mais deseja, que é ter uma vida que não tenha sido escrita pelo irmão. Mas ele aceita tomar parte em um último embuste e se dispõe a seduzir Penelope, uma moça solitária, entediada... e muito rica.


Na superfície, realmente Vigaristas é mais do mesmo. Estão em cena todos os elementos de filmes do gênero, tais como a dupla formada por um espertinho e expansivo em contraponto com o outro mais pacato e questionador, que entra em conflito com o comparsa por estar cansado daquela vida; a mocinha espirituosa que joga lenha na fogueira da dupla, e invariavelmente se interessa pelo herói romântico; as tramóias bem urdidas; os cenários exóticos; o desafeto antigo que vem complicar a vida dos protagonistas; as muitas idas, vindas e reviravoltas. A diferença é que neste filme, devido a seu caráter ultrametalinguístico, todos os lugares-comuns se tornam referências a um tipo de trama que encontra ecos desde em clássicos como Golpe de Mestre até referências mais recentes como Os Safados e o quase homônimo Os Vigaristas.

O diretor e roteirista Rian Johnson constrói a sua trama em torno de uma celebração ao ato de contar histórias. Stephen não apenas roteiriza seus golpes, mas também cria personagens, identidades, clímax, enfim, todo um mundo imaginado que remete ao próprio universo do cinema como fábrica de sonhos. O único problema é que o roteiro acaba ficando refém de sua própria estrutura Sherazzade. Stephen se dispõe a escrever a história perfeita, definitiva, criando um mecanismo de trama dentro da trama que por vezes acaba por engessar um pouco o filme como um todo. Por outro lado, ao utilizar-se desse artifício, ele também cria um dispositivo de proteção que faz com que qualquer exagero ou incoerência na história possa ser facilmente perdoado.

Outro fator que faz toda a diferença é o brilho e carisma do elenco. Adrien Brody, ótimo ator, está perfeito como o anti-herói trágico arrastado a contragosto para uma vida de crimes; Rachel Weisz, sempre um encanto em cena, dá perspicácia e inteligência a uma personagem que poderia parecer tola se interpretada de modo pouco habilidoso. E Rinko Kikuchi é simplesmente um barato no papel da perita em explosivos Bang-Bang, que faz graça praticamente sem abrir a boca. Mas a grande atração é o charme que Mark Ruffalo empresta ao inteligentíssimo e criativo Stephen Bloom. Ruffalo tem se mostrado um ator muito surpreendente nos últimos anos. Já seu personagem poderia ter feito fortuna como roteirista em Hollywood, caso não tivesse dedicado sua imaginação a fins menos nobres.


Por fim, uma dúvida paira no ar: se eles são, conforme o título original, os irmãos Bloom, qual é o primeiro nome do Bloom de Adrien Brody?

Estreia sexta.

sábado, 17 de outubro de 2009

Distrito 9


Depois do buchicho causado pelo longa no Festival do Rio, finalmente fui conferir Distrito 9 no circuitão. E foi muito gratificante constatar que não é muito barulho por nada, já que trata-se de um dos filmes de sci-fi mais originais e menos pretensiosos das últimas décadas. Uma verdadeira pérola para quem curte cinema inventivo, inteligente e bem estruturado. Depois de explorar a temática do contato entre humanos e alienígenas em dois curtas (Alive in Joburg, 2005, e Tempbot, 2006), o técnico em efeitos visuais sul-africano Neill Blomkamp debuta na direção de longas com esta trama também escrita por ele e produzida por ninguém menos que Peter Jackson.

Sob o formato de um documentário fake, Distrito 9 começa narrando como uma grande nave interplanetária quebrou sobre Joanesburgo vinte anos antes, acontecimento que acabou deixando sob a responsabilidade do governo da África do Sul uma indesejada população de alienígenas confusos, perdidos e malnutridos. As criaturas foram segregadas em um acampamento provisório, que logo se transformou numa imensa favela na qual os aliens, vítimas de forte preconceito da parte dos humanos, sobrevivem em meio à sujeira, pobreza e todo tipo de degradação social.

No ponto em que a trama realmente começa, a organização pseudo-humanitária MNU – Multi-National United – promove uma espécie de reassentamento dos alienígenas numa área afastada da cidade, numa clara tentativa de varrê-los para baixo do tapete. Um burocrata da MNU deve ir com uma força-tarefa entregar as ordens de despejo para formalizar a situação, e é durante essa missão que as coisas desandam e a favela explode num conflito gigantesco. Vale ressaltar a hipocrisia da tal entidade em notificar os aliens de seu despejo por escrito, mesmo não deixando alternativa a eles.

A partir de um princípio em tom de ironia e paródia, o filme caminha para um desenvolvimento mais pautado pela tensão dramática e pela ação, mas sem nunca abandonar sua postura crítica. A xenofobia sofrida pelos alienígenas remete a todo e qualquer crime de ódio racial já cometido na história da civilização. Desde o apartheid que lembra bastante não apenas o da própria África do Sul, mas também o perpetrado pelos Estados Unidos até a década de 60 (em diversos cenários, há placas e avisos de “somente para humanos”) até a negativa dos que detém o poder em enxergar os que lhe são subordinados como seres dignos de respeito (qualquer semelhança com o nazismo não é mera coincidência). São especialmente curiosas as declarações dos humanos, que dizem coisas como “se pelo menos eles fossem de outro país, tudo bem; mas eles nem são desse planeta”. Sem contar os apelidos pejorativos e a exploração econômica sofrida pelos segregados, que neste caso pagam preços exorbitantes por ração para gatos contrabandeada pelo simples fato de gostarem de tal alimento. Claro que as situações deste filme são levadas a extremos, mas o mecanismo de ódio é assustadoramente verossímil.

Em meio ao caos, o filme ainda encontra espaço para desenvolver a solidariedade entre dois personagens de mundos opostos e insere uma ponta de esperança em meio à desolação, à barbárie, ao primitivismo humano. E isso ganha especial estofo não apenas pela competência do roteiro e da direção, mas graças também à excelente interpretação do novato Sharlto Copley, que interpreta o executivo que se vê em meio a um conflito que julgava não ser seu. Este é o primeiro longa de Copley, que antes de Distrito 9 tinha feito apenas o curta de Blomkamp Alive in Joburg.


Para finalizar, meus caros, não se deixem enganar pela abordagem por vezes engraçadinha e com um quê de filme trash de Distrito 9: este é um filme que dá bastante o que pensar. É esperto, provocante e, em muitos trechos, assustador. Mas também é profundo em suas colocações. Um filmaço que diverte na hora e faz refletir depois.

65 filmes na disputa


Acabou o prazo! A lista de países que concorrem a uma das vagas para a categoria melhor filme estrangeiro do Oscar 2010 fechou com 65 inscritos. Chama atenção o fato da Espanha mais uma vez ter ignorado um longa de Almodóvar e também a indicação da Argentina para o excepcional O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella. Considerando que a Academia nunca destinaria duas vagas à América do Sul, um concorrente de tal nível praticamente elimina as já escassas chances brasileiras. Mas é claro que isso não passa de especulação e os finalistas de fato serão anunciados somente no dia 2 de fevereiro de 2010. Confiram abaixo os concorrentes:

África do Sul, White Wedding, Jann Turner
Albânia, Alive!, Artan Minarolli
Alemanha, A Fita Branca, Michael Haneke
Argentina, O Segredo dos Seus Olhos, Juan José Campanella
Armênia, Autumn of the Magician, Rouben Kevorkov e Vaheh Kevorkov
Austrália, Samson & Delilah, Warwick Thornton
Áustria, For a Moment Freedom, Arash T. Riahi
Bangladesh, Beyond the Circle, Golam Rabbany Biplob
Bélgica, The Misfortunates, Felix van Groeningen
Bolívia, Zona Sur, Juan Carlos Valdivia
Bosnia e Herzegovina, Nightguards, Namik Kabil
Brasil, Salve Geral (Time of Fear), Sergio Rezende
Bulgária, The World Is Big and Salvation Lurks around the Corner, Stephan Komandarev
Canadá, Eu Matei a Minha Mãe, Xavier Dolan
Cazaquistão, Kelin, Ermek Tursunov
Chile, Dawson, Isla 10, Miguel Littin
China, Eterno Feitiço, Chen Kaige
Colômbia, The Wind Journeys, Ciro Guerra
Coréia, Mother, Bong Joon-ho
Croácia, Donkey, Antonio Nuic
Cuba, Fallen Gods, Ernesto Daranas
Dinamarca, Terribly Happy, Henrik Ruben Genz
Eslováquia, Broken Promise, Jiri Chlumsky
Eslovênia, Landscape No. 2, Vinko Moderndorfer
Espanha, The Dancer and the Thief, Fernando Trueba
Estônia, December Heat, Asko Kase
Filipinas, Grandpa Is Dead, Soxie H. Topacio
Finlândia, Letters to Father Jacob, Klaus Haro
França, Un Prophete, Jacques Audiard
Geórgia, The Other Bank, George Ovashvili
Grécia, Slaves in Their Bonds, Tony Lykouressis
Holanda, Winter in Wartime, Martin Koolhoven
Hong Kong, Prince of Tears, Yonfan
Hungria, Chameleon, Krisztina Goda
Índia, Harishchandrachi Factory, Paresh Mokashi
Indonésia, Jamila and the President, Ratna Sarumpaet
Irã, About Elly, Asghar Farhadi
Islândia, Reykjavik-Rotterdam, Oskar Jonasson
Israel, Ajami, Scandar Copti e Yaron Shani
Itália, Baaria, Giuseppe Tornatore
Japão, Nobody to Watch over Me, Ryoichi Kimizuka
Lituania, Vortex, Gytis Luksas
Luxemburgo, Refractaire, Nicolas Steil
Macedonia, Wingless, Ivo Trajkov
México, Backyard, Carlos Carrera
Marrocos, Casanegra, Nour-Eddine Lakhmari
Noruega, Max Manus, Espen Sandberg e Joachim Roenning
Peru, A Teta Assustada, Claudia Llosa
Polônia, Reverse, Borys Lankosz
Portugal, Doomed Love, Mario Barroso
Porto Rico, Kabo and Platon, Edmundo H. Rodriguez
Reino Unido, Afghan Star, Havana Marking
República Checa, Protektor, Marek Najbrt
Romênia, Politist, Adjectiv, Corneliu Porumboiu
Rússia, Ward No. 6, Karen Shakhnazarov
Sérvia, St. George Shoots the Dragon, Srdjan Dragojevic
Sri Lanka, The Road from Elephant Pass, Chandran Rutnam
Suécia, Involuntary, Ruben Ostlund
Suíça, Home, Ursula Meier
Tailândia, Best of Times, Yongyoot Thongkongtoon
Taiwan, No Puedo Vivir sin Ti, Leon Dai
Turquia, I Saw the Sun, Mahsun Kirmizigul
Uruguai, Bad Day for Fishing, Alvaro Brechner
Venezuela, Libertador Morales, El Justiciero, Efterpi Charalambidis
Vietnã, Don't Burn It, Dang Nhat Minh

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Desinformante!


Steven Soderbergh é um diretor flutuante, que me deixa sempre sem saber o que esperar de um longa assinado por ele. O cara realiza desde viagens ambiciosas como uma odisséia de Che em duas partes até fitas baratas (e absolutamente dispensáveis) como Confissões de uma Garota de Programa. Entre a pretensão de ser grande e o cacoete de querer ser moderno, Soderbergh volta e meia evita esses dois extremos e acerta em cheio. É o caso deste divertido e original filme.

O Desinformante! apresenta uma trama tão absurda que custamos a crer em sua inspiração na realidade. O argumento com toques de humor nonsense é pautado por temas seríssimos como espionagem corporativa, formação de cartéis, escutas telefônicas e apropriação indébita. Tudo começa quando Mark Whitacre, alto executivo de uma multinacional de derivados de milho, compartilha com seus chefes a denúncia de que uma concorrente japonesa vem sabotando-os. O FBI entra na jogada e logo Whitacre passa de funcionário-modelo a informante do Bureau contra seus próprios superiores, depois de dar com a língua nos dentes sobre um suposto cartel envolvendo sua empresa e as demais concorrentes.

Durante quatro anos (de 1992 a 1996), Mark gravou conversas, forneceu informações, repassou documentos confidenciais e destrinchou altas conspirações. O grande problema é que quase tudo era inventado, deixando o FBI numa tremenda saia-justa por ter lhe dado tanto crédito por tanto tempo. Por que alguém faria isso? Mark é um mitômano, ou seja, sofre de uma compulsão patológica por mentir. E a comédia de erros que daí advém acontece justamente graças à falta de limites do personagem e suas mentiras cada vez mais escalafobéticas. Um detalhe muito divertido é o modo como a narração em off nos faz acompanhar seu fluxo de pensamento, dando ao espectador acesso a um monólogo interior muito louco.

O Desinformante! é uma comédia um pouco fora do estilo que costumamos ver no mercado. Tudo é interpretado na tela com o maior tom de seriedade, e a graça vem justamente do nível de absurdo do ocorrido. Então digamos que não é um filme para grandes gargalhadas e sim para muitos sorrisinhos irônicos. Um Matt Damon gorducho e com um bigodão esquisito dá a Mark Whitacre um ar de impagável canastrice (no bom sentido), ao mesmo tempo em que continua tendo aquele seu característico jeito de bom moço. Damon também é muito bem coadjuvado por Melanie Lynskey com a esposa Ginger e Scott Bakula como Brian Shepard, o pobre agente federal de boa-fé que caiu na lábia do mentiroso. Numa trama com tantas meias-verdades e fatos falseados, o espectador só tem que ficar muito atento para não perder o fio da meada da história. Se piscar, já era.


A inacreditável biografia de Mark Whitacre parece-se bastante com a de outro notório vigarista americano, Frank Abagnale Jr. – retratado nas telas em Prenda-me Se For Capaz. Ambos enganaram as autoridades por anos com sua astúcia e poder de convencimento antes de serem desmascarados e, depois de cumprirem suas penas, reabilitaram-se e construíram carreiras bem-sucedidas: Abagnale como consultor de fraudes bancárias e Whitacre como executivo de sistemas. Para eles, o crime até que compensou.

Estreia sexta.

sábado, 10 de outubro de 2009

Salve Geral


É preciso falar, ainda que tardiamente, de Salve Geral. Ao mesmo tempo em que seu lançamento passava meio despercebido aqui no Rio de Janeiro (por ter ocorrido em meio ao Festival do Rio), o filme estreou com a chancela de ter acabado de ser eleito o candidato do Brasil para disputar uma das cinco vagas para o Oscar 2010 na categoria melhor filme estrangeiro. Nas preliminares em casa, Salve Geral derrotou pelo menos um filme de excelência inequívoca: Feliz Natal, de Selton Mello.

Sem fazer juízo de valor quanto ao filme em si, é muito esquisita essa insistência do Brasil em enviar, ano após ano, o mesmo estilo de filme que vem sendo desprezado pela Academia. Vale lembrar que Carandiru, Última Parada 174 e até mesmo a obra-prima Cidade de Deus foram rejeitados nesta categoria, o que só reforça os boatos sobre o conservadorismo dos votantes da mesma. É bem verdade que no ano seguinte Cidade de Deus deu a volta por cima e obteve indicações nas categorias principais, mas isso não invalida o fato do longa ter sido rejeitado quando submetido à disputa por filme estrangeiro.

Quanto a Salve Geral, é um filme correto quanto à recriação do fatídico domingo de maio de 2006 no qual o PCC (Primeiro Comando da Capital) promoveu um caos que conseguiu parar a maior cidade do país. A rotina carcerária e as disputas de poder entre as facções também são mostradas em todas as suas nuances cinzentas. Mas o longa sempre parece menos convincente em sua porção fictícia, ao se apoiar em personagens cujas ações e reações não parecem lógicas. Andréa Beltrão é uma excelente atriz e dá seu sangue para defender Lúcia, mas a personagem é cheia de contradições esquisitas: primeiro é uma mãe amorosa que se envolve com o crime para proteger o filho, mas subitamente se apaixona por um criminoso e deixa o filho – que foi a origem de tudo – em segundo plano, chegando a parar de visitá-lo para se encontrar com o amante. O ator Lee Thalor, que interpreta Rafa (o filho de Lucia), tem 26 anos. Embora a idade do personagem não seja dita explicitamente em nenhum momento, suas atitudes infantis e inseguranças soam típicas de um adolescente. E Thalor tem a imagem de um homem já mais maduro, mesmo caracterizado como um garotão.

Salvo essas ressalvas, é um filme competente. Agora se vai comover os membros da Academia... aí já é outra história.

Mais vistos

Eis os 15 filmes mais vistos neste Festival:

1. Abraços Partidos
2. (500) Dias com Ela
3. Aconteceu em Woodstock
4. Bastardos Inglórios
5 . Coco Antes de Chanel
6. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
7. Tokyo!
8. Distante Nós Vamos
9. Sonhos Roubados
10. Nova York, Eu Te Amo
11. Matadores de Vampiras Lésbicas
12. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
13. Dzi Croquettes
14. Julie & Julia
15. O Desinformante!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

10+


Sempre com a ressalva de que não assisti a alguns filmes bastante elogiados, como Abraços Partidos, Brilho de uma Paixão ou Sede de Sangue, listo abaixo os dez filmes que mais me impressionaram, encantaram ou divertiram neste Festival:

1 - A Falta Que Nos Move (idem)
2 - O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos)
3 - Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock)
4 - Teatro de Guerra (Theater of War)
5 - Antes Que o Mundo Acabe (idem)
6 - Aquário (Fish Tank)
7 - Distante Nós Vamos (Away We Go)
8 - Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You)
9 - 500 Dias com Ela ((500) Days of Summer)
10 - Matadores de Vampiras Lésbicas (Lesbian Vampire Killers)